Passou, passou o momento dos ímpetos incontidos de comprar e comer… Será mesmo que passou? Claro que não, comer e comprar são irmãos gêmeos, nasceram da mesma barriga, melhor dito, da mesma cabeça. Cabeças inquietas, angustiadas, inseguras, medrosas, têm no comer e no gastar, no fazer compras, anestésicos de suas neuroses. Gostaria de estar sendo original, não estou. Freud exauriu-se de dizer que nascemos regidos pelo “princípio de prazer”, que num primeiro momento chama-se Fase Oral. Essa fase começa logo após o nascimento, quando somos levados ao seio materno. Sugar, comer, nos aplacou e aplaca a angústia de termos chegado a esta vida de necessidades e sofrimentos.
A tal Fase Oral, quando comer é o nosso maior prazer. Nada, absolutamente nada na vida se compara ao prazer de comer, nada. O problema é ficar fixado nessa fase, as consequências são perversas. As pessoas comem, sem fome, para anestesiar a angústia de suas vidas vazias, de frustrações, medos e covardias. Comer dá prazer, aliás, é o que prometemos às crianças bem comportadas, doces. Criança que se comporta não ganha pernil de porco, ganha chocolate, sobremesa, doces, enfim. Prazer puro. Em nossas horas de adultos angustiados, lembramos da boa “criança” que somos, merecemos doces, comer ou comprar, que é um substituto à altura de comer e festejar a vida. Mas é tudo compensação inconsciente de vilanias reais ou imaginárias, e de nada imaginárias vidas vazias. Quem está bem ocupado, fazendo o de que gosta, amando o que faz, até esquece a hora de comer… O neurótico só lembra é de comer ou de comprar. Tenho pena, mas tenho minha dose dessa neurose. Principalmente de ir à geladeira ver o que há por lá…
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