sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Moral e Ética, breve comentário

          Recentemente, li uma notícia dando conta de que o senador Lobão Filho (PMDB-MA) propôs uma alteração no regimento do Senado para excluir do juramento de posse dos senadores a expressão “respeito à ética”. Segundo consta, todo senador, ao tomar posse, deve jurar defender a constituição, a república e “agir com ética”. O senador Lobão Filho, que não teve um voto sequer (é suplente do pai, o ministro de Minas e Energia), alegou que “ética é um conceito relativo”, portanto deveria ser excluído do juramento de suas excelências.
         Tremo na base toda vez que ouço ou leio alguém afirmar que a ética é relativa. Entre os “pensadores” pós-modernos - e isso abrange a grande maioria dos professores das áreas de humanas, quase todos ligados a correntes ideológicas de esquerda - domina atualmente o pensamento relativista. Para essa corrente, devemos respeitar todo e qualquer tipo de comportamento moral praticado por sociedades, etnias ou grupos, por mais aberrantes, indignos ou injustos que pareçam aos nossos olhos: infanticídio, excisão clitoridiana, infibulação feminina, apedrejamento de adúlteras, enforcamento de homossexuais, fuzilamento de opositores políticos. Isso, definitivamente, não me serve.
         A palavra moral tem sua etimologia na expressão latina mores, relativa aos costumes. As normas morais podem derivar de tabus, medos, convenções, regras sociais e religiosas. A variedade das regras morais é um fato bastante óbvio para qualquer observador. Basta compararmos os costumes morais vigentes na maioria dos países ocidentais laicos e democráticos com aqueles dos países islâmicos. Sexo antes do casamento, exposição do corpo e homossexualidade são comportamentos aceitos entre nós, ao passo que naquelas sociedades podem levar à cadeia ou ao cadafalso.
         A palavra ética deriva do grego ethos, significando caráter, modo de ser. Enquanto moral é um conjunto de regras de conduta objetivamente consideradas, ética tem a ver com a intimidade ou a subjetividade de uma pessoa, o seu modo de ser e de se comportar, não só perante os seus semelhantes - conceito tradicional -, mas também, modernamente, em relação ao meio ambiente e aos animais.
Ética e valores são conceitos indissociáveis. Valores dizem respeito à maneira como somos e como agimos. Honestidade, probidade, bondade, amizade, respeito à vida, são valores normalmente aceitos como desejáveis e que devem ser cultivados e praticados por todos, independentemente de nacionalidade. Nenhum ser humano gostaria de ser apedrejado até a morte por ter “pulado a cerca”, não importa se brasileiro, japonês, iraniano ou queniano. 
         No âmbito do exercício de qualquer profissão, valores éticos mutuamente pactuados assumem a condição de normas de conduta obrigatória, de caráter nitidamente deontológico (deontologia é o estudo dos deveres).
          Como não sou um relativista, acredito em valores éticos universais. Não matar, não roubar, não mentir (pelo menos não descaradamente), não prejudicar os outros, não oprimir, não humilhar, respeitar as liberdades individuais, não se apropriar da coisa pública, são deveres intrínsecos a todo e qualquer ser humano civilizado, incluindo os políticos. Pena que o senador Lobão Filho não tenha se dado conta disso.  

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